Flavia Regaldo

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Erupção

parte da série Depois da Partida

2023


Profetizemos o instante em que o vulcão rasga a terra.

Erupção explora a não linearidade temporal, o momento em suas múltiplas conexões por meio da simbologia do Vulcão como potência criadora e destruidora que possibilita a renovação de ciclos.

Série de gravuras em metal (fotogravuras em água-tinta).
Fotografias do vulcão Etna – Sicília, Itália.

Detalhe das obras
  1. Erupção III_ gravura em metal, tiragem 7_ 31x41cm
  2. Erupção II_ gravura em metal_ tiragem 7_ 52x78cm
  3. Erupção IV_ gravura em metal_ tiragem 7_ 41x53cm
  4. Erupção Noite_ gravura em metal_ tiragem 3_ 42x53cm
  5. Erupção Magma_ gravura em metal_ tiragem 10_ 22×31
  6. Erupção V_ gravura em metal_ tiragem 7_ 42x53cm
  7. Erupção VI_ gravura em metal_ tiragem 7_ 26x20cm cada
  8. Erupção I_ gravura em metal_ tiragem 7_ 53x38cm
Depois da partida


Depois da Partida é um trabalho que aborda a matéria mineral e suas dimensões humano-cósmicas. Um trabalho sobre o tempo, as montanhas, e os afetos. Um percurso expositivo em capítulos, guiado pela gravura e alimentado por fotografias, vídeo, som e texto.

Venho de Minas Gerais, no Brasil, estado onde o desaparecimento de montanhas devido ao extrativismo é uma constante histórica. O projeto Depois da Partida tem origem em trabalhos anteriores relacionados com montanhas, pedras e o solo colonial. As obras exploram formas de simbolizar contrastes entre dimensões e rasuras. Entre o tempo natural e o tempo humano, entre a construção e o descarte. Aqui, opõem-se e fundem-se magnitudes. O tempo humano junta-se ao tempo cósmico pela extensão de sua mitologia, de seus contos e devaneios. A contagem do tempo geológico acelera-se com os desmoronamentos do Antropoceno. Em vários dos meus trabalhos, essa dupla perspectiva coloca-se como central para a compreensão de relações históricas e a constituição de memórias e ficções coletivas.

O percurso de Depois da Partida se inicia pela minha narrativa pessoal, marcada pelo desmoronamento sensível de uma parceria amorosa e artística de longos anos, que coincide com o desabamento de uma grande pedra na casa dividida com meu parceiro nas montanhas de Minas, nosso espaço de pesquisa comum. A queda se consolida pelo colapso político do meu país naquele mesmo ano, marco de mais uma erosão. Em fuga por outras cordilheiras, os caminhos se abrem para explorar novas ficções de corpos-geologia.

Buraco: em Minas Gerais, as pedras são devoradas. Extrai- se o minério cor de sangue vermelho, que percorre novas rotas, distintas daquelas outrora percorridas pelo ouro.

Cabeça de Anta era Boi: em minha nova morada, as pedras imitam o movimento do mar.

Erupção: para sempre, os vulcões explodem, liquidam e fertilizam a terra. Ciclo perpétuo de uma história não linear.

Vertigem e Deslize: o degelo, o medo do fim se manifesta como vertigem social.

Um projeto que busca desenhar o movimento das montanhas.

Em ambas as terras, novas perspectivas sobre o amor. As reconstruções só poderão ser mediadas pelos afetos.

EXPOSIÇÕES

"Depois da Partida", NowHere 2024 _ Lisboa / Portugal
"Worlds that Hold On, Worlds that Creep Up, Seidlvilla 2025 _ Munique / Alemanha