Flavia Regaldo / Aruan Mattos
Colaboração: Manuel Andrade
2011
Cicloritmoscópio é trabalhado como amálgamas apresentadas em edições. A partir de um carrinho ambulante são formatados uma somatória de operações variadas como textos, ambulação virtual, cadernos ordinários, composições musicais cíclicas, debates, entre outros. Cada edição foi criada em conjunto com artistas convidados.
Objeto instalativo e publicações
_Amálgama 01 - Criatura, Aruan Mattos/ Flavia Regaldo
_Amálgama 02 - Palestra, André Castro
_Amálgama 04 - Ordem, Aruan Mattos/ Flavia Regaldo
_Amálgama 05 - O Tempo, Hernani Guimarães, Colaboração: Glauco Dias, Composição Musical e novas construções no carrinho: Leandro César
Nian Pissolati
Aruan Mattos
Nian Pissolati
Indicações para um roteiro do breu
Primeiro quadro:
Olhos fechados.
Um trilhão de milhões de pontos, muito pequenos e independentes, que mexem e se deixam levar pelo menor virar de olhos.
Segundo quadro:
Breu superfície. Risco, bola, cor, forma. Tudo depende do ângulo de locomoção dos olhos em relação a velocidade de ação.
Apertar os olhos é multiplicar, mudar a direção, enfim, configurar toda a
Terceiro quadro:
constelação em outras coisas.
Quarto quadro:
Por enquanto, de breu quase nada. É depois de algum tempo que as coisas mudam. O breu se formando, te tocando. Breu mergulho. Fundo, dentro do fundo todo que ele já é.
Quinto quadro:
Pausa. Quase-não-vivo. Alguns minutos, outros anos, ou coisa inventada.
Ínfimo-infinito.
Sexto quadro:
O breu nunca é breu. Toneladas de pontos e movimentos estranhos. O breu é preto. Mais preto que o preto, e muitas outras cores. O breu é branco, o menor branco.
Sétimo quadro:
A estranha sensação de caber na maior menor coisa que existe.
Oitavo quadro:
Flutuar palavras, cair palavras, pendurá-las num canto mínimo do breu.
Nono quadro:
O breu começa a crescer por conta própria - evapora, liquefaz, dissolve.
Breu-cabeça-fora-da-cabeça.
Fundo mais fundo mas fácil de escapar.
Décimo quadro:
Mergulho no breu.
Décimo primeiro quadro:
Inventário.
Décimo segundo quadro:
Não há tempo, nem máquina.
Décimo terceiro quadro:
Abandonar as últimas p a l a v r a s
Aruan Mattos
coração vagabundo divaga em passos derivantes torcendo o nariz para o que empaca a quietude embaraçada entre sórdidos ses
tórpidos quês.
cicloritmoscópio
janela diletante.
vida vadia, estão aí as minhas minhas barbas. Cidade, povo, volúpia. Pensava que descia,
subia.
sem eixo
tosco
vida banguela
volúvel
voraz
o que me traz?
eixo trôpego? dileto.
Nada faz da conta do caralho. Estar e ser. Inventar um ter. Subir e per. Meiúca trouxa. Cheiro trecos tortos embaço embasbacado. Sorvendo pelos poros puros brutos. Vida bronca.
Esquece, tece. Vida leve. Cicloritmizar essa vida louca! Subjetiva até o osso.
Até o dente! Ai ai ai minha dor de dente.