Buraco é a terra vermelha no oco da mineração. O tempo do Antropoceno cava suas marcas sem retorno.
Série de seis gravuras em metal (fotogravuras em água-tinta) e dois objetos instalativos em cobre e ferro.
Fotografias da Mina Várzea do Lopes – Minas Gerais, Brasil.
Depois da Partida é um trabalho que aborda a matéria mineral e suas dimensões humano-cósmicas. Um trabalho sobre o tempo, as montanhas, e os afetos. Um percurso expositivo em capítulos, guiado pela gravura e alimentado por fotografias, vídeo, som e texto.
Venho de Minas Gerais, no Brasil, estado onde o desaparecimento de montanhas devido ao extrativismo é uma constante histórica. O projeto Depois da Partida tem origem em trabalhos anteriores relacionados com montanhas, pedras e o solo colonial. As obras exploram formas de simbolizar contrastes entre dimensões e rasuras. Entre o tempo natural e o tempo humano, entre a construção e o descarte. Aqui, opõem-se e fundem-se magnitudes. O tempo humano junta-se ao tempo cósmico pela extensão de sua mitologia, de seus contos e devaneios. A contagem do tempo geológico acelera-se com os desmoronamentos do Antropoceno. Em vários dos meus trabalhos, essa dupla perspectiva coloca-se como central para a compreensão de relações históricas e a constituição de memórias e ficções coletivas.
O percurso de Depois da Partida se inicia pela minha narrativa pessoal, marcada pelo desmoronamento sensível de uma parceria amorosa e artística de longos anos, que coincide com o desabamento de uma grande pedra na casa dividida com meu parceiro nas montanhas de Minas, nosso espaço de pesquisa comum. A queda se consolida pelo colapso político do meu país naquele mesmo ano, marco de mais uma erosão. Em fuga por outras cordilheiras, os caminhos se abrem para explorar novas ficções de corpos-geologia.
Buraco: em Minas Gerais, as pedras são devoradas. Extrai- se o minério cor de sangue vermelho, que percorre novas rotas, distintas daquelas outrora percorridas pelo ouro.
Cabeça de Anta era Boi: em minha nova morada, as pedras imitam o movimento do mar.
Erupção, Sobre os Afetos, Estrépito e Arrebentação: para sempre, os vulcões explodem, liquidam e fertilizam a terra. Ciclo perpétuo de uma história não linear.
Vertigem e Deslize: o degelo, o medo do fim se manifesta como vertigem social.
Um projeto que busca capturar o movimento das montanhas.
Em ambas as terras, novas perspectivas sobre o amor. As reconstruções só poderão ser mediadas pelos afetos.
"Depois da Partida", NowHere 2024 _ Lisboa / Portugal
"Worlds that hold On, Worlds that Creep Up", Seidlvilla 2025 _ Munique / Alemanha